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BPO judicial reduz riscos e amplia a previsibilidade
tecnologia - 29/08/2026
Com mais de 30 mil ações e 280 mil autores sob gestão ao longo dos últimos anos, a Delphos mostra como especialização, dados e controle operacional podem contribuir para mitigar uma exposição financeira superior a R$ 4 bilhões.
À frente da Delphos, Nélio Alvarez acompanha a transformação das operações do mercado segurador e a crescente importância da gestão do contencioso. Para o executivo, o tema deixou de ser restrito ao departamento jurídico. Em carteiras com milhares de ações, distribuídas por diferentes regiões e conduzidas por diversos escritórios, a qualidade da operação repercute diretamente nos custos, na avaliação dos riscos, na previsibilidade dos desembolsos e no resultado das companhias.
O histórico da Delphos ajuda a dimensionar essa realidade. Das mais de 30 mil ações judiciais administradas pela empresa ao longo dos últimos anos, a maior parte estava ligada a demandas do extinto Sistema Financeiro da Habitação (SFH), em um universo superior a 280 mil autores. São carteiras que podem reunir contratos antigos, grande dispersão territorial e necessidade de recuperar documentos e informações técnicas essenciais para subsidiar as defesas.
Alvarez também recorre aos dados do Conselho Nacional de Justiça para mostrar a dimensão da litigiosidade e a longa permanência dos processos no sistema. Segundo o relatório Justiça em Números 2026, ano-base 2025, o Judiciário encerrou o período com 75,5 milhões de processos em tramitação. As execuções fiscais representavam aproximadamente 22% dos casos pendentes e levaram, em média, 8 anos e 2 meses até a baixa. Para o executivo, esse cenário evidencia porque a gestão do passivo judicial precisa ser tratada como tema de eficiência operacional e saúde financeira das empresas.
Alvarez observa que a rotina administrativa também se tornou uma variável de risco. Um prazo perdido, um documento que não chega à defesa, uma publicação encaminhada com atraso ou um pagamento realizado fora do tempo pode ampliar desnecessariamente o prejuízo. O desafio, portanto, não está apenas na definição da tese jurídica, mas na capacidade de garantir que cada etapa seja cumprida corretamente, com informações completas e dentro dos prazos aplicáveis.
É nessa camada que, segundo o presidente da Delphos, o BPO de Processos Judiciais demonstra seu valor para o mercado segurador. A seguradora permanece no comando da estratégia, das alçadas e das decisões jurídicas e financeiras. A estrutura especializada assume a execução e o controle das rotinas, com responsabilidades definidas, níveis de serviço, rastreabilidade e indicadores que permitem acompanhar a carteira e corrigir desvios.
Na Delphos, o serviço cobre o ciclo administrativo da ação: acionamento, triagem e cadastro automatizado, coleta e organização de documentos, distribuição aos escritórios responsáveis, acompanhamento de publicações e obrigações, controle de prazos, despesas, reembolsos, pagamentos e demais desembolsos processuais. A integração do fluxo reduz retrabalho e oferece uma visão uniforme da carteira, mesmo quando os processos estão espalhados por diferentes comarcas e prestadores.
Para Alvarez, o diferencial não está apenas na disponibilização de uma ferramenta tecnológica. O resultado depende da combinação entre pessoas, processos, sistemas e conhecimento do negócio segurador. Técnicos administrativos, analistas jurídicos e advogados atuam de forma dedicada à operação, criando uma ponte entre a seguradora e os escritórios contratados. “São milhares de processos em fóruns e comarcas diferentes, prazos simultâneos, múltiplos escritórios parceiros e a necessidade de subsidiar tecnicamente cada defesa com informações precisas do contrato original”, ressalta.
A operação é acompanhada pelo VinDelphos, plataforma de Business Intelligence da companhia, que transforma os dados em relatórios gerenciais, dashboards e alertas. “Em uma única fonte, a seguradora consegue acompanhar quantas ações estão em andamento, quanto está sendo gasto, quais obrigações e prazos estão próximos do vencimento e onde estão os principais riscos”, afirma Alvarez. Os painéis também mostram a evolução das despesas, a recorrência de teses, a concentração regional das demandas e o desempenho dos escritórios parceiros.
O presidente ressalta que não existe um percentual único de economia aplicável a todas as companhias, porque o resultado varia conforme o ramo, a tese, a região e o perfil da carteira. Ainda assim, sustenta que o retorno é mensurável. Cumprimento de prazos e níveis de serviço, tempo de cadastramento, custo médio por processo, valores provisionados e desembolsados, acordos, encerramentos e recorrência de demandas são alguns dos indicadores que permitem comparar a operação antes e depois da adoção do BPO.
Segundo Alvarez, o impacto chega ao balanço quando a seguradora reduz retrabalho, evita falhas operacionais, controla melhor honorários e despesas e oferece subsídios mais completos para a defesa. A centralização das informações também melhora a avaliação dos riscos, a negociação de acordos e a previsibilidade dos desembolsos. O efeito não decorre simplesmente da terceirização, mas da capacidade de estabelecer uma linha de base, acompanhar resultados e atuar sobre as causas das perdas evitáveis.
Os dados do contencioso também podem revelar problemas que surgiram antes da ação judicial. Teses recorrentes, concentrações regionais ou aumento de demandas relacionadas a determinado produto ajudam a identificar pontos de atenção em processos internos, regulação de sinistros, subscrição e comunicação com o segurado. Para o executivo, essa visão permite que o jurídico deixe de apenas reagir às ações e passe a fornecer informações úteis para a prevenção de novas demandas e o aperfeiçoamento da operação seguradora.
A especialização por ramo é outro ponto considerado essencial. Carteiras como Habitacional, Prestamista, Vida, Saúde e Danos possuem documentos, coberturas, fluxos e controvérsias próprios. No Habitacional, por exemplo, a gestão pode envolver grande número de autores e contratos antigos, além da necessidade de localizar documentos e informações técnicas capazes de subsidiar adequadamente a defesa. Alvarez avalia que uma equipe habituada às particularidades de cada carteira reduz o tempo de resposta e melhora a qualidade do suporte entregue aos escritórios.
Automação, inteligência artificial aplicada à triagem e analytics jurídico devem ampliar essa capacidade. Na avaliação de Alvarez, a tecnologia pode apoiar o cadastramento, classificar documentos e demandas, identificar padrões e direcionar alertas, mas precisa operar com supervisão humana e critérios de auditoria. Em processos judiciais, a velocidade não substitui a precisão: dados incorretos ou incompletos podem comprometer indicadores e decisões, razão pela qual tecnologia e conhecimento técnico devem evoluir juntos.
O avanço dessas ferramentas também aumenta a importância da governança de dados e da LGPD. Informações processuais podem conter dados pessoais, financeiros, médicos e contratuais, exigindo controle de acesso, rastreabilidade, segurança e definição clara das responsabilidades de cada participante. Para o presidente da Delphos, a confiança entre seguradora, BPO e escritórios parceiros depende tanto da qualidade da execução quanto da integridade das informações compartilhadas.
A experiência acumulada pela Delphos dá dimensão ao argumento. Nos últimos anos, a empresa gerenciou mais de 30 mil ações judiciais, envolvendo mais de 280 mil autores, e contribuiu para mitigar uma exposição financeira superior a R$ 4 bilhões. Para Alvarez, os números mostram o potencial do modelo em carteiras massificadas, nas quais pequenas falhas repetidas em escala podem se transformar em perdas relevantes. “O BPO jurídico deixou de ser uma retaguarda para se tornar uma extensão estratégica da seguradora. Ele dá escala e controle à operação para que advogados e gestores concentrem tempo na defesa, na prevenção e nas decisões que realmente exigem julgamento técnico”, conclui.
Fonte: Seguros.inf.br

